Difícil Aceitar, Impossível Compreender!

“De repente nossa vista clareou, clareou, clareou (…) E descobrimos que a riqueza do patrão e poder dos governantes passam pelas nossas mãos”. Canto das CEBs

Trindade, uma cidade de mais de cem mil habitantes, vive o drama do crescimento desordenado.
Dividida ao meio, a parte histórica possui, pelo menos em sua maior parte, a urbanização e infraestrutura a que todo cidadão tem direito: hospitais, escolas, asfalto, esgoto, transporte, coleta de lixo. Mérito dos governantes? Não! Mérito do povo que lutou, pressionou reivindicou e paga impostos para que esses serviços sejam executados. Muitos de nós atuamos nessas lutas . Conhecemos de perto o processo de mudança daqueles que, sem ética, nem compromisso, fogem do povo e passa a vê-los como inimigos quando fazem alguma crítica ou cobram promessas de campanha.
Na outra metade de Trindade vivem cerca de 50 mil pessoas que trabalham, pagam impostos e lutam por uma vida digna a que tem direitos.Estranhamente, essa outra parte da cidade não recebe a atenção nem os mesmos cuidados destinados à parte histórica. Uma breve visita aos bairros mais afastados da rodovia e se percebe a discriminaçãoadministrativa naquela região.
Recentemente, o executivo de Trindade enviou um projeto de lei à Câmara Municipal concedendo à Clínica Nefron – uma clínica particular especializada em doenças renais – uma área de trinta e um mil metros quadrados, (pasmem:mais de meio alqueire de terras!) com a justificativa de que seria de grande valia para a população. O projeto foi aprovado, apesar das críticas de uns poucos vereadores e da recomendação contrária do Ministério Público e da procuradoria jurídica da Câmara. Um afrontoso desrespeito à lei na Casa de Leis!

Perguntas que não querem calar:

  • Para conceder título de cidadão trindadense o legislativo exige o currículo dos homenageados, sua história de vida e serviços prestados à cidade. Alguns até pedem vista do processo, como foi feito nas homenagens aos padres
  • Estranhamente, para a concessão de tamanho benefício a esta empresa particular da área de saúde, nada foi pedido, nem mesmo o CNPJ! Mais grave ainda: por que não se investigam informações de que esta empresa tem problemas na justiça em Rondonia e no Distrito Federal?
  • Esta empresa é uma rede que tem filiais em Natal, Distrito Federal,Minas e em Pelotas, no Rio Grande do Sul?
  • O Trindade II precisa mesmo de um hospital, de laboratórios, de melhor atendimento à saúde. Por que então esta área imensa não foi destinada a um hospital público?
  • Porque não buscar apoio de parlamentares da base aliada do governo federal com emendas que garantiriam sua construção?
  • Se o executivo tem tanto interesse pelos doentes renais, porque não apoia Associação dos Renais Crônicos de Trindade e nem levou em consideração o pedido para a construção de sua sede?
  • Por que foi cancelada a doação de cestas básicas aos associados comprometendo a segurança alimentar de muitos deles?
  • Por que não agilizar a implantação da UPA – Unidade de Pronto Atendimento – já aprovada pro município?
  • Por que o município é tão generoso em doar 31 mil m² a uma clínica particular e nega 1.300 m² `a ADEFTRIN com seus mil e trezentos filiados e uma história de lutas pelos deficientes de Trindade?
  • Por que não se fez audiência pública sobre esse projeto?
  • Será que a Nefron vai ser solução para os mais pobres se cada sessão de hemodiálise custa $400,00 quatrocentos reais?

Tantas perguntas …nem uma resposta!

 

Até compreendo porque alguns vereadores votaram a favor desse projeto.Provavelmente,tiveram receio de sofrerem retaliações e a população acusá-los de não querer resolver um problema tão sério como é asaúde.Entretanto, é preciso abrir o olho!

O direito à saúde precisa ser assegurado pela rede pública. Infelizmente, a privatização da saúde favorece o enriquecimento de muitos empresários que fazem da doença fonte de lucros. Agora, dizer que é isso um “BEM” pra população é querer enganar o povo, já tantas vezes enganado!

 Texto enviado por:
Joana D´Arc Aguiar de Souza
Educadora, filiada à Associação de Mulheres na Comunicação
Representante de Goiás no Forum Brasileiro de Economia Solidária